CONHECENDO UM NOVO MUNDO
Centro de Porto Alegre, vinte e três horas.
O inspetor Carlos Alencar está sentado em sua mesa degustando uma maçã enquanto observa alguns relatórios sobre o caso de tráfico de armas e drogas o qual está investigando no momento, pois recebera uma importante informação de um desconhecido informante que se autodenomina como Senhor “T”. Ele lê o dossiê de um importante empresário bem sucedido e influente da alta sociedade, Maximiliano Bloom, dono do grupo empresarial Bloom Incorporation. Seu Sr. T lhe informara que o mega empresário estava envolvido com o traficante Maurício Marques, conhecido pelo apelido de Maumau. O inspetor observa cada detalhe do dossiê e dos relatórios de seu antecessor no caso que estava prestes a descobrir tudo quando foi misteriosamente assassinado em seu apartamento sem sangue. Carlos percebe sobre sua mesa o aparelho celular vibrar, então o atende e percebe que se trata de seu misterioso informante que lhe indica que daqui a uma hora uma importante transação de negócios irá ocorrer entre o traficante Maumau e o empresário Maximiliano em frente a praça da Redenção. Rapidamente o policial civil encerra a ligação, coloca seu casaco de couro preto e se liga para o delegado Xavier para lhe pedir autorização de levar o maior numero de homens disponível naquele momento para uma operação sigilosa a meia-noite em frente a Redenção, um importante e conhecido parque de lazer da Zona Norte do município de Porto Alegre.
- Quantos homens têm esta noite disponível na unidade, Carlos? – perguntou Xavier.
- Temos dez homens, Xavier. Preciso pelo menos levar sete dos dez junto comigo. – disse Carlos.
- Foi o teu informante misterioso que lhe deu esta dica? – perguntou Xavier.
- Sim senhor, Xavier. Foi sim o Sr. T. – respondeu Carlos.
- Bem, Carlos. Este seu informante sempre deu boas informações ao nosso pessoal. Vamos dar uma credibilidade a ele. Arme estes homens e os leve contigo pra Redenção, mas peço que não tenha abuso de autoridade ou qualquer tipo de violência gratuita. O que menos precisamos é a imprensa em nossa “cola”. – concordou delegado Xavier colocando suas exigências perante aquela rápida operação.
Centro de Porto Alegre, Brique da Redenção, meia-noite.
Um homem está fumando seu cigarro sentado em um dos bancos do parque quando observa um misterioso carro preto se aproximar, de dentro sai o empresário Maximiliano acompanhado de seu motorista e mais dois homens trajando terno preto assim como ele que se aproxima do jovem rapaz no banco.
- Max! Boa noite, meu “véio”!
- Maumau! Sabes que não gosto muito destes teus palavreados “chulos”. – disse Maximiliano.
- Mas que bom que viestes, “cara”! – disse Maumau levantando-se e jogando seu cigarro no chão.
- Sabes que sou uma pessoa muito conhecida, por que marca estes nossos encontros em locais de fácil visibilidade a minha pessoa em horários questionáveis a minha índole? Mas o que queres comigo? – questionou o empresário preocupado em manter sua credibilidade com a sociedade.
- Quanto mais na visibilidade mais não perceberam sobre teus negócios ilícitos, não é Max? Pelo menos penso assim. – comentou Maumau.
- Bem, “desembuche” homem. – disse Maximiliano.
- Temos alguém vendendo uma nova droga no “pedaço” a um preço absurdamente acessível aos “pobretões” de Porto. Até os “mauricinhos” gostaram desta nova droga e do valor que estão vendendo. Precisamos tirar este “cara” do caminho. – comentou Maumau.
- A quanto estão vendendo este produto? – perguntou Maximiliano.
- A dois “pila” a “troxinha”. – respondeu Maumau.
- A dois reais? Mas o que isto? Merda de cachorro com aspirina vagabunda? Estão dando presente para estes viciados de merda? Quero saber quem é este cretino e vamos acabar com ele. Ninguém estraga os negócios de Maximiliano Marques. Descubra quem é e acabe com ele. – praguejou Maximiliano dando uma ordem em seguida a Maumau.
- Meu pessoal já descobriu de quem se trata, doutor. Precisamos apenas de umas armas melhor que as deles e acabar com este “cachorro”. Eles estão com fuzis e pistolas semi-automáticas.
- Amanhã mesmo vocês estarão com pistolas automáticas e fuzis atuais para acabarem com estes espertinhos.
Gustavo, segurança de confiança do empresário, aproximou-se de seu patrão e lhe comentou que eles poderiam ir naquele exato momento no local onde estavam os donos da nova droga e acabar pessoalmente com eles.
- Muito bom, Gustavo. “Tempo é dinheiro”. Maumau, nos leve até o local onde eles residem. – disse Maximiliano querendo se encontrar com seus concorrentes naquele exato momento.
- É assim que se fala chefia. Vamos nessa. Quer que chame meu pessoal? – disse Maumau querendo lhe oferecer reforço.
- Não precisaremos deles, Maumau. Meu pessoal dará um tratamento especial a eles. – disse Maximiliano recusando a ajuda do pessoal de Maumau.
De dentro de um furgão preto do outro lado da avenida Osvaldo Aranha, Carlos e sua pequena equipe escutavam a conversa dos meliantes através de um aparelho de escuta que haviam colocado minutos antes da conversa do empresário com o traficante próximo do local de encontro indicado pelo Sr. T.
- Então inspetor? Atacamos agora? – perguntou um dos policiais.
- Ainda não, policial. Vamos atrás para ver que são os novos traficantes de Poro Alegre. – disse Carlos.
- Mas chefe, vamos precisar de reforços. Dentro daquele carro eles estão entre cinco, lá no local para onde estão indo deve ter bem mais. Vamos precisar do auxilio da Brigada Militar. – comentou o outro policial.
- Acalmem-se, pois daremos um jeito nisto. Alguém ligue para a delegacia e peçam para que imprimam um pedido urgente de apoio da Brigada Militar no local que indicaremos em seguida, pois ligarei para o delegado Xavier para que ele converse com seu primo que é o juiz da nossa Comarca para que nos consiga uma rápida autorização de busca e apreensão no local. Comemorem pessoal, pois nesta noite vamos prender um importante “figurão” da alta sociedade e ainda por cima impedir que uma nova droga se espalhe em nosso Estado. Seremos heróis, homens. – disse Carlos empolgado com aquela operação.
Bairro Vila Nova, uma hora.
O traficante Julinho comemora com seus colegas de crime as vendas da nova droga quando estranha ao ver seu primo de onze anos de idade entrar correndo sem bater na porta, o assustado menino se aproxima e lhe informa que um misterioso carro preto se aproxima.
- Guti, desce lá embaixo e vê se é mais um destes “playboyzinhos” que “tá” chegndo aí. – ordenou Julinho a um de seus comparsas.
Guti desceu correndo o morro chegando a frente ao carro do empresário acompanhando de mais seis rapazes que mostrava suas armas. Eles se aproximaram e ordenaram que as pessoas no interior do veículo se identificassem.
- Quem é que “tá” aí? – perguntou Guti erguendo seu fuzil.
- Somos nós, “cara”! – respondeu Maumau descendo do carro acompanhado de Maximiliano e seus guarda-costas.
- Maumau? O que tu faz por aqui, “cara”? tu sabe que se o Julinho te ver por aqui ele acaba contigo “bixo”. – comentou Guti surpreso com a inesperada visita.
- Calma, primo. Viemos conversar na boa com o teu chefe. Deixem a gente passar, vai. – disse Maumau.
De dentro do furgão Carlos observava tudo de longe com seu binóculo com a tecnologia de visão noturna, dispositivo que facilitava que ele olhasse claramente tudo o que estava acontecendo.
- O que será que eles estão conversando, chefe? – perguntou um dos policiais ao inspetor.
- Também gostaria de saber, policial. – comentou Carlos não tirando seus olhos do binóculo.
O celular de Maximiliano vibra no bolso de seu paletó, então ele avisa a todos que irá atender uma ligação e se dirige para atrás do carro. Ele olha a sua volta, guarda o aparelho e retorna para perto de todos informando que foram seguidos.
- Como assim “foram seguidos”? Quer dizer que vocês trouxeram os “porcos” até nós? Vocês “tão” ferrados “caras”. – disse Guti autorizando seus colegas a atirarem contra seus visitantes.
Maumau se jogou para atrás do carro e estranhou ao ver que Maximiliano e seus guarda-costas continuavam diante dos bandidos sem retirarem suas armas ou esboçarem qualquer tipo de reação perante a atitude dos rapazes que direcionaram suas armas na direção do empresário e os demais e começaram a efetuar contra eles.
Pelo binóculo Carlos acompanhava o que estava ocorrendo, então se surpreendeu com a execução que estava ocorrendo no local e ordenou que seus subordinados colocassem seus capacetes de proteção que eles iriam entrar em ação. E assim que percebera que todos estavam dispostos para o combate, o inspetor não quis aguardar a chegada da Brigada Militar que havia informado há poucos minutos atrás que demorariam trinta minutos para chegarem ao local.
- Vamos agir, homens! – ordenou Carlos colocando seu capacete de proteção e junto com seus subordinados partindo para o ataque.
Assim que se aproximaram discretamente da posição dos bandidos que se aproximavam de Maumau para lhe executar após atirarem contra os quatro homens de terno que estavam caídos ao chão, observaram uma estranha cena: Maximiliano levantou-se acompanhado de seus guarda-costas gargalhando de um jeito macabro que ecoava naquela bela noite de lua chia.
- Meu Deus! O que é isto? – estranhou Carlos, pois havia presenciado aqueles quatro homens receberem rajadas de fogo de fuzis. Ele sabia que por melhores que fosse um possível colete balístico que o empresário e seus guarda-costas estivessem trajando não seria possível eles saírem vivos daqueles disparos.
- O que está acontecendo por aqui, Maximiliano? – perguntou Carlos surgindo com seus subordinados.
- Cheiro de sangue forte por aqui. – disse Maximiliano olhando na direção do inspetor de polícia com sua face deformada e com seus aguçados dentes caninos a mostra, até seus olhos castanhos agora se encontravam vermelhos.
- Deus! O que vocês são? – perguntou Guti apavorado ao ver que além da face do empresário estar deformada, a dos guarda-costas também estava.
- O que são vocês? Perguntou Maumau estranhando o que observava.
- O pior pesadelo daqueles que se colocam em nosso caminho. – respondeu Maximiliano.
De repente chega Julinho acompanhado de todo o seu pessoal querendo saber o que estava ocorrendo em seu “ponto” e querendo que toda a agitação acabasse, mas também se assustou ao ver a face do empresário e seus guarda-costas.
- Meu Deus! – exclamou assustado Julinho.
- Já é o terceiro que cita o nome Dele, mas saibam que Deus não está nem perto do que está para ocorrer aqui. Vamos Gustavo, vamos rapazes. Vamos nos alimentar um pouquinho destes sangues.
- Vamos homens! Todo mundo atirando contra eles! – ordenou Carlos ao ver que seus oponentes abriram suas bocas para que deixasse a mostra seus afiados dentes caninos.
Um dos bandidos aproximou-se de Carlos, o puxou para atrás de uma árvore e lhe disse para fugir antes que fosse tarde demais. O inspetor não entendia por que o bandido lhe ajudava, mas ele garantiu que iria distrair os vampiros.
- Tu disse que eles são o quê? Vampiros? – questionou Carlos não conseguindo acreditar que estava diante de criaturas lendárias.
- Isto mesmo, policial! São vampiros! Agora fuja daqui que isto foge de sua jurisdição. Deixe eles comigo. – disse o bandido que se mostrava um conhecedor do assunto e talvez alguém que poderia impedir a atuação daquelas criaturas.
- Meus colegas estão ali, preciso ajudá-los. – comentou Carlos sacando sua arma.
- Confie em mim, policial. Eles já devem estar mortos. Vá embora e os deixe comigo. – disse o rapaz retirando de seu casaco de couro marrom uma estaca de madeira e uma pequena marreta.
O policial escutava gritos agonizantes de seus colegas e demais pessoas que haviam ficado com aquelas criaturas horríveis, ele sabia que seus colegas poderiam estar morto, mas mesmo assim havia sido treinado para lutar até morrer.
- Tem outra estaca aí contigo, rapaz? – perguntou Carlos.
- Tu tá louco, “cara”? tu não tem chances contra eles. – comentou o misterioso rapaz.
- Não tô pedindo permissão para lutar, meu caro. Quero dizer que vou contigo. Não deixarei que estes cretinos saiam impunes disto tudo. O que eu faço pra te ajudar? – disse Carlos demonstrando coragem diante aquela situação.
- Certo, policial. Vejo que és um policial integro que respeita o juramento que fizestes em tua formação, pegue sua arma e atire na cabeça ou no coração deles. A única coisa que funciona vivo no corpo deles é o cérebro que o faz raciocinar como qualquer pessoa e o coração. Apesar de serem mais fortes que qualquer humano normal eles têm o corpo sensível, então as munições e qualquer tipo de estaca os perfura facilmente. – explicou o rapaz.
- Estarei a seu comando, “cara”! – disse Carlos.
- Está pronto, policial? – peguntou o rapaz.
- Positivo. – respondeu o inspetor engatilhando sua pistola.
- Foi! – ordenou o rapaz saindo de atrás da árvore e vendo os vampiros terminando de sugar o sangue de alguns dos corpos caídos pelo gramado ao “pé” do morro.
- Olhem o que o vento nos trouxe, pessoal! Temos mais carne fresca para o nosso banquete, senhores.
- Venham. Seus desgraçados! – disse Carlos com ira no coração e juramento de vingança contra eles ao ver seus colegas mortos ao chão.
Então os vampiros avançaram contra os dois homens enquanto Maximiliano e Gustavo se dirigiam para dentro do carro e se retiravam do local, pois eles reconheceram o misterioso rapaz e sabia que ele se tratava de um caçador de vampiros.
- Rapaz! Maximiliano está fugindo! – gritou Carlos disparando no coração do último vampiro na ativa que caiu morto ao chão.
- Pegaremos ele outra hora. – disse o rapaz se aproximando do policial que observava surpreso para o corpo do vampiro.
- Jurava que eles pegavam fogo ou virava cinzas quando eram mortos por alguém. – comentou Carlos surpreso ao ver que os vampiros continuavam iguais quando morriam.
- Tu andas assistindo muito filmes de má qualidade sobre vampiros, hein policial. Mas saibas que estes são vampiros recém transformados, pois se fossem de séculos como Maximiliano provavelmente seus corpos virariam pó.
- O que fazemos agora? Vamos atrás de Maximiliano? – perguntou Carlos.
- Na verdade terei que protegê-lo, pois mesmo sendo um vampiro Maximiliano ainda é um incrédulo “figurão” que só quer saber de ter poder a qualquer custo. Ele vai tentar matá-lo. Terei que te esconder. – comentou o rapaz.
- Me esconder? Vai me esconder aonde? – questionou Carlos.
- Tenho um grande amigo em Canoas. Ele é um dos meus, sei que nos ajudará nesta. Vamos pr lá. – propôs o rapaz.
- Tu quer dizer ir agora? Sair no meio da madrugada com alguém que não conheço para casa de alguém que nem imagino quem sejas? – perguntou Carlos no conseguindo acreditar ainda que havia acabado de lutar com vampiros de verdade.
- Bem, se eu quisesse te ver morto não teria impedido que um bando de vampiros te matasse. Meu carro está no posto na estrada e a polícia está chegando. Vamos de pressa. – disse o rapaz indo embora.
- Vamos nessa então. – disse Carlos seguindo o rapaz.
- A propósito, me chamo Cobrareto. Sou caçador de vampiros e demais tipo de criaturas das trevas. – disse o misterioso rapaz se apresentando.
- Cobrareto? Que nome estranho. Prazer. Me chamo Carlos Alencar, sou inspetor da Polícia Civil. – disse Carlos também se apresentando.
Canoas, quatro horas.
Cobrareto dirige o seu carro pelo centro da cidade conduzindo Carlos até o bairro Guajuviras, local onde ele deixaria o policial escondido até conseguirem acabar com Maximiliano. O jovem rapaz sabia que o empresário não deixaria barato para o inspetor tudo o que ocorrera naquele local e da tentativa de emboscada que tentara colocá-lo para acabar com sua carreira. Ele dirigiu até uma casa no final da avenida principal do bairro, onde entrou acompanhado de seu novo amigo.
- Onde estamos? – perguntou Carlos assim que entrou na casa que estava com as luzes desligadas.
- Em Guajuviras. Aqui temos amigos que nos ajudarão com esta história. – respondeu Cobrareto acendendo a luz da sala onde se encontravam.
- Que estamos no Guajuviras isto eu sei, quero saber de quem é esta casa. – questionou Carlos.
- De um amigo que nos ajuda, agora só um momento que terei que fazer uma ligação. – disse Cobrareto pedindo licença a seu novo amigo.
- Ligação? Que ligação se são quatro e meia da manhã? Quem vai te atender a estas horas da manhã? – perguntava Carlos estranhando toda aquela situação que ainda continuava confusa em sua cabeça.
- O que tem que saber é que nós, pessoas que lidamos com estes tipos de casos, não nos damos o luxo de estarmos dormindo nestes horários de pessoas normais. Agora me dê licença, Carlos. – comentou Cobrareto indo até a cozinha para conversar com alguém por telefone.
Carlos percebera que Cobrareto conversava com alguém pelo telefone enquanto caminhava de um lado para o outro da cozinha, que o rapaz passava sua mão direita sobre seu raspado cabelo enquanto com a mão esquerda segurava o celular próximo de sua orelha. Então olhou na direção da televisão e pegou o controle remoto do aparelho que estava sobre o sofá, sendo que pegou o controle e sentou-se sobre o móvel ligando a televisão para se distrair enquanto aguardava as próximas coordenadas de seu novo “amigo”.
Na televisão uma reportagem de ultima hora aparecia com o repórter informando que um grupo de pessoas haviam sido encontrados mortos e com mordidas em seus pescoços e demais partes do corpo, uma verdadeira carnificina executada por um grupo de religiosos fanáticos pelo ocultismo, e que estavam indo naquele momento acompanhar a prisão do grupo de pessoas responsáveis por aquilo.
- Meu Deus do céu! – exclamou Carlos não acreditando a falsa informação que a imprensa noticiava naquele momento.
- O que foi, Carlos? – perguntou Cobrareto aproximando-se do policia segurando duas latinhas de refrigerante e sentando ao lado dele lhe oferecendo a bebida.
- Eles estão dando uma falsa notícia do que realmente ocorreu naquele lugar, Cobrareto. Eles deveriam saber o que o Maximiliano realmente é e prendê-lo. – disse Carlos pegando a lata de refrigerante e bebendo um gole da bebida para ver se acalmava sua revolta.
- E o que tu acha que eles deveriam fazer? Falar para toda a sociedade que vampiros fizeram aquilo? – questionou Cobrareto em relação à revolta do policial.
- Esta deveria ser a função da nossa imprensa, informar a notícia correta para seus telespectadores. – respondeu Carlos não acreditando que Cobrareto defendia a omissão de informação da imprensa.
- Veja bem, Carlos. Não sou a favor da “imprensa marrom”, mas imagina falar para toda a sociedade que não sabe sobre a existência deste tipo de criatura que aqueles bandidos foram assassinados por vampiros. E se descobrem que Maximiliano é um poderoso vampiro, tu achas que simples prisão e armamentos humanos irão derrotar este tipo de criaturas? – tentou explicar Cobrareto percebendo que o policial ainda não se convencera daquela conversa.
- Pelo que percebi vampiros são sensíveis a estacas de madeiras, cruz, água benta e alho. Equipamos cada policial e militar das Forças Armadas com estas “parafernálias” todas e partimos para destruí-los. – propôs Carlos convencido de que poderiam acabar com os vampiros.
- E o caos que se formaria em todo o planeta, Carlos. “Cara”, já vi uma cidade toda ficar assustada com alguns tipos de criaturas, as pessoas não dormem mais de luzes apagadas e muitas continuam em hospícios. Isto são tipos de casos que realmente devem ser encobertos para que a população não entre em pânico. Tu já leu a “Guerra dos Mundos”? Um famoso radialista da década de setenta nos Estados Unidos não tinha o que pôr na sua programação e viu o livro de “bobeira” sobre sua mesa, como ele era um radialista de notícias leu a ficção em forma de notícia. “Cara”, quando ele chegou na parte que os alienígenas invadem a Terra foi um caos em Nova Iorque, pois foi as pessoas da cidade trancando a rodovia querendo fugir para a zona rural e as pessoas do campo trancando as estradas de acesso para a cidade querendo se refugiar para a zona urbana. A cidade de Nova Iorque virou um caos em meio a saques e pessoas se matando e tentando se “salvar” de uma possível ameaça. – disse Cobrareto.
- Puxa vida! – exclamou Carlos compreendendo a situação.
- Pois é, Carlos. Agora imagina contar pra estas pessoas que vampiros estão atacando em Porto Alegre, é certo que ao invés de irem pra luta as Forças Armadas e polícias teriam que tentar controlar um caos pelo mundo todo com esta informação. – comentou Cobrareto.
- Está bom, “cara”! Entendi a gravidade do problema.
Guajuviras, cinco horas.
Jéferson é um jovem caçador de demônios de vinte e um ano de idade que esconde de todos sua vocação em derrotar criaturas das trevas, e neste momento ele caminha pela mata que rodeia seu bairro tentando encontrar uns vampiros que haviam se escondido por ali. Assim que ele se vira percebe alguém lhe segurar por atrás, e sem poder reagir percebe que está cercado por cinco vampiros, e que um deles o segura pelas costas.
- E agora, incrível caçador? Vamos transformá-lo em um de nós para que perceba como é ser um de nós. – propôs um dos vampiros abrindo sua boca e mostrando suas presas afiadas.
- O deixem em paz! – ordena uma grave voz que vem da direção de um vulto que está sobre um galho em cima de uma árvore olhando na direção deles.
- Mas quem é o metidinho a herói? – perguntou um dos vampiros que parecia liderar o bando.
O misterioso rapaz de pele branca, cabelos pretos, de aparência normal, trajando roupas pretas e sobretudo preto, salta da árvore sobre os dois vampiros que estavam a frente do líder do bando os golpeando pelas cabeças os matando com uma bela estaca de prata.
- Ei! Espera um pouco. Não tem cheiro de humano, pois é um como nós. Por que mata gente da tua própria espécie? – comentou o líder do bando de vampiros estranhando ao observar que o rapaz que tentava impedir a transformação de Jéferson também era um vampiro.
- Talvez eu seja um Michael Jackson da vida que não aceita a forma que nasceu. – ironizou o vampiro erguendo sua estaca de prata em posição de luta contra seu adversário.
O líder do bando se jogou sobre o vampiro que tentara salvar o jovem rapaz que rolou com ele no chão, enquanto isto Jéferson aproximou a distração do vampiro que o segurava e pisou em seu pé fazendo-o que lhe soltasse. Então enquanto os dois vampiros rolavam no chão, Jéferson pegara a estaca de prata que estava caída no chão e acertava contra o peito de seu oponente o matando.
- Idiota! – exclamou Jéferson enquanto retirava a estaca do vampiro morto para acabar com os outros dois vampiros que continuavam brigando.
Assim que o vampiro que o salvou chutou o outro vampiro, Jéferson aproveitou a situação para cravar a estaca pelas costas de seu oponente lhe acertando o coração e o matando. Em seguida olhou na direção do vampiro que o salvara e se pôs em posição de luta.
- Não irei brigar contigo, Jéferson. – disse o vampiro colocando suas mãos no bolso de seu sobretudo.
- O que? Não vai querer sugar o meu sangue? – perguntou Jéferson estranhando aquilo tudo.
- Pode ter certeza que não, rapaz. – respondeu o vampiro sorrindo.
- Mas como? É o teu instinto animal fazer isto. – questionou Jéferson.
- Não me alimento de sangue de pessoas, mas mesmo assim já me alimentei o suficiente. – comentou o vampiro.
- Qual o seu nome? – perguntou Jéferson não se descuidando do rapaz a sua frente.
- Steve. Steve Dark. – respondeu o vampiro.
- Prazer, Jéferson Cristian. – apresentou-se Jéferson.
- Sei quem você é e o que é, por isto preciso muito da tua ajuda. – disse Steve.
- Como assim precisa da minha ajuda? – perguntou Jéferson estranhando que um vampiro queria sua ajuda.
- Estou à procura de um policial que enfrentou recentemente alguém que estou procurando. Soube que um dos seus o pegou para protegê-lo. – comentou Steve.
- Tu é do bando do vampiro que ele enfrentou, né. Pode ter certeza que não contarei onde ele está. – disse Jéferson já sabendo da história do policial por causa de Cobrareto que já havia lhe informado por telefone sobre a missão de Porto Alegre.
- Nem ouse em pensar que tenho algum tipo de relação com aquele tipo de criatura, rapaz. Saibas que o quero para completar minha vingança. – comentou Steve.
- Vingança? Saibas que não é o primeiro vampiro que me vem com este “papinho furado”. – disse Jéferson virando as costas para o vampiro sem disposição de querer lhe ajudar.
- Tudo bem, Jéferson. Quando precisarem de ajuda estarei por perto, mas saiba que irei a procura deste policial. – disse Steve observando o rapaz se distanciar dele desaparecendo em meio à cerração da mata.
Porto Alegre, seis horas.
Em uma luxuosa mansão na zona norte da cidade, Maximiliano está de pé diante da janela de sala de visitas, degustando um de seus caros uísques, observando o sol nascer no rio Guaíba quando percebe que Gustavo se aproxima de sua pessoa.
- Então, Gustavo? Encontraram o policial e o caçador? – perguntou Maximiliano querendo escutar uma positiva notícia sobre a pergunta que fizera ao seu empregado de confiança.
- Não os encontramos eles ainda, chefe. Mas sabemos que ambos foram vistos saindo juntos em um antigo Corcel se dirigindo a cidade de Canoas. Tenho uns amigos que me devem alguns favores na Polícia Rodoviária Federal que observaram com bastante atenção o carro que lhe informei e eles me informaram que observaram nas câmeras de segurança este veiculo se dirigir ao bairro Guajuviras. – disse Gustavo esperando agradar seu patrão com a notícia que tinha sobre o possível paradeiro do policial e do caçador de vampiros.
- Guajuviras? O bairro Guajuviras? Mas que droga! Logo este lugar? Parece que tem alguém me provocando com esta história toda. – praguejou Maximiliano indignado com o possível paradeiro dos dois a quem gostaria de reencontrar.
- O que tem este lugar, senhor? – perguntou Gustavo sem entender os questionamentos de seu chefe sobre o local.
- A uma lenda que este local seja uma “ponte” de ligação entre portais dimensionais no qual há um guardião que a pegar tipo de criaturas como nós os prende em uma dimensão quase igual ao inferno. Já enfrentei os antepassados deste guardião há alguns séculos atrás, perdi algumas batalhas na Europa e tive que me refugiar na América para que não me encontrassem mais, sei falar que descobri alguns métodos por aqui de como ganhar muito dinheiro e aumentar meu capital com facilidade. – contou Maximiliano detestando a possibilidade dos descendentes de seus inimigos poderem estar ajudando Carlos e Cobrareto.
- Qual serão as próximas ordens, senhor? – perguntou o eficiente segurança.
- Quero alguns observando discretamente a situação em Canoas. Quero que descubram onde aquele policial está e após aguardem para seqüestrá-lo discretamente, pois não quero novamente ter a família Carvalho de volta em minha “cola”. – ordenou Maximiliano bebendo mais um gole de seu uísque.
Guajuviras, sete horas.
Carlos dorme sobre o sofá da sala enquanto Cobrareto dorme sentado na cadeira em frente a televisão que está ligada, quando de repente entra na casa Jéferson que os acorda e alerta que há um vampiro procurando pelo inspetor de polícia no bairro.
- Quem é este? Mais um caçador que nem tu, Cobrareto. – perguntou Carlos acordando irritado, pois não gosta que ninguém o acorde de supetão.
- Este é o meu “chefe”, Carlos. Jéferson de Carvalho. – disse Cobrareto se ajeitando na cadeira apresentando os dois.
- Prazer, inspetor. Cobrareto já havia me falado um pouco de ti por telefone. – informou Jéferson entendendo sua mão direita na direção do policial para lhe cumprimentar.
- Prazer, Jéferson. Mas parece tão jovem para estar neste tipo de “serviço”, filho. – comentou Carlos apertando a mão do rapaz.
- Saibas que iniciei ainda mais jovem, meu caro. Mas não estamos nesta por minha história, mas sim pela sua. – disse Jéferson soltando a mão do policial.
- Como assim? – perguntou Carlos não entendendo o que estava ocorrendo.
- Já disse que há um vampiro querendo saber de ti em nosso bairro, e tenho certeza que ele me seguiu e está aí fora querendo falar contigo. Ele me salvou de um bando de vampiros que caçava no mato em frente a minha casa e jurou que precisava de ti para saber do paradeiro de um vampiro o qual ele quer vingança. – disse Jéferson.
- Isto mesmo, Jéferson. E acreditei mesmo que sabia que eu estava lhe seguindo, mas mesmo assim continuei. – disse Steve entrando sala a dentro.
- Ué? Vampiros não têm que serem convidados a entrarem em uma casa? – perguntou Carlos surpreso com a tranqüilidade de Jéferson e Cobrareto diante daquele vampiro.
- Você anda assistindo péssimos filmes sobre vampiros, meu caro policial. – comentou Steve olhando na direção de Carlos.
- Não te preocupe com ele, Carlos. Se quisesse nos matar já teria tentado. Não sei por que ele não o faz, mas sinto como se ele tivesse uma alma em seu corpo e não apenas instinto e maldade de um demônio mestiço. – comentou Jéferson ao sentir a energia daquele vampiro.
- Não posso dizer que sou uma criatura divina, rapaz. Mas saibas que está certo sobre o julgamento que fizestes de mim. Não sou do mal, pois estou aqui para lutar ao lado de vocês. – disse Steve.
- Quer dizer que um vampiro quer se unir a caçadores de vampiros? Que estranho, não? – questionou Cobrareto.
- Isto mesmo, Cobrareto. Quero me unir a caçadores de vampiros sim, pois é isto que venho fazendo há dois séculos dos três que me transformaram neste tipo de ser que sou. Maximiliano é o responsável por isto, e por conseqüência as atrocidades que cometi no início de minha adaptação como uma criatura das trevas. Enfrentei muitas coisas obscuras pelo mundo para tentar me redimir com Deus sobre todo o mal que já fiz principalmente a minha família. Quero vingança, quero pessoalmente matar Maximiliano. – contou Steve com lágrimas nos olhos.
- Lágrimas? Vampiros podem chorar? – perguntou Carlos ainda curioso com novas situações que presenciava.
- Claro que podem, Carlos. Agora quieto. – disse Cobrareto após responder a pergunta do curioso policial.
- Nunca soube de um vampiro do bem, pois todos os vampiros que conheço são criaturas que tiveram suas almas perdidas assim que bebem a primeira gota de sangue de sua primeira vítima, se transformando em criaturas que seguem seus instintos e colocando seus pensamentos apenas para o mal. Como conseguiu ser diferente? – questionou Jéferson tentando acreditar no vampiro.
- Quando completei um século que estava transformado nesta horrenda criatura, conheci um feiticeiro que podia me levar a seus oráculos. Como não acreditava nestas coisas na época e estava movido por meus instintos de sede por sangue, tentei atacá-lo. Então ele fez um poderoso feitiço que me fez acordar em um estranho local que não parecia ser nesta dimensão, onde vi dois seres divinos que me devolveram a alma e disseram que não poderiam desfazer o que Maximiliano havia feito, mas que com uma alma eu encontraria um jeito de me adaptar aquela condição. Quando retomei minha alma um grande desejo de vingança a Maximiliano me dominou, pois agora sentia muita culpa pela morte que causei a minha família. Tenho minha alma de volta, agora preciso do perdão de Deus. Necessito da ajuda de vocês para completar esta minha missão. – contou Steve.
- Meu Deus! Que história mais louca. Eu não acreditava em vampiros, agora além da existência de vampiros também existem oráculos e feiticeiros? Puxa! – comentava Carlos surpreso e tentando acumular todas aquelas informações que recebia de uma vez.
- “Há muita coisa entre o céu e a terra que possa compreender nossa van filosofia”, meu caro Carlos. – disse Cobrareto retirando suas luvas deixando a mostra suas mãos com escamas de cobra.
- O que tu é, rapaz? – perguntou Carlos.
- Melhor nem saber por enquanto, meu rapaz. Primeiro tente aceitar a existência de vampiros. Uma criatura por vez, tchê! – disse Cobrareto sorrindo da expressão de dúvida do policial.
- Então? Estou na equipe de vocês ou não? – questionou Steve.
- Equipe? Mas que equipe? – perguntou Carlos curioso com a proposta de Steve.
- A equipe que vai te salvar do Maximiliano, pois só matando ele para que te deixe em paz. – comentou Steve.
- Se ele é um vampiro tão poderoso por que iria me querer? Por que acabar comigo? – perguntou Carlos pensando que Maximiliano não queria nem querer saber dele.
- Por isto, policial. Você sabe do que ele realmente é e que provavelmente já descobrira suas fraquezas, então agora também se tornara uma ameaça para ele. Já vi ele acabar com pessoas de formas terríveis por que ousara atravessar seus caminhos. – disse Steve.
- Está certo, Steve. Seja bem vindo, pois precisaremos de toda ajuda que tivermos para acabar com o exército que este “cara” está tentando montar. – disse Jéferson esticando sua mão direita na direção do vampiro como forma de aceitação do pedido que lhe fizera.
Em seguida Cobrareto o cumprimentou também dizendo:
- Bem vindo a nossa equipe, Steve.
Carlos esticou sua mão direita na direção do vampiro, sem saber que naquele instante uma importante união de respeito e amizade se formava, apertou a mão do vampiro e se apresentou.
- Prazer, Steve. Sou o inspetor da Polícia Civil: Carlos Alencar. – apresentou-se Carlos olhando fixamente e sem medo nos escuros olhos de Steve.
- Prazer, Carlos. Me chamo Steve Dark, da cidade italiana de Servilla. – disse Steve apertando a mão do policial.
Jéferson abriu sua mochila e mostrou a todos os presentes uma cruz de prata abençoada por um padre amigo seu, estacas de prata, armas com munição de prata com cobre, adagas e água benta. Ele olhou para os três a sua frente e lhes disse:
- Estamos nos preparando para uma possível guerra, pessoal. Estamos nesta pra valer.
- Estamos contigo, Jé. – disse Cobrareto.
- Nós também, Jéferson. – disseram Carlos e Steve ao mesmo tempo.
- Certo então, pessoal! Cobrareto, ligue para os demais e diga que esta noite nos organizaremos para ir atrás de Maximiliano. Quero todos de sobreaviso para qualquer eventualidade, e diga também que quero vigias pelas entradas do Guajuviras. Queremos nosso bairro bem vigiado, pois sinto que nosso inimigo está se preparando para vir até nosso encontro. – comandou Jéferson.
Porto Alegre, centro da cidade, oito horas.
Em um abandonado galpão no Caís do Porto a beira do rio Guaíba, Gustavo entra no local e logo é rodeado por um bando de dez vampiros que o observam estranhando sua presença naquele recinto.
- Sei que está na hora do sono de vocês, mas nosso mestre quer a reunião de todos seus “filhos” esta noite aqui mesmo neste galpão. Então avisem todos os que vocês conhecem e procurem os que desconhecem, pois esta noite será liderada por mim um ataque sobre a cidade de Canoas, mais precisamente no bairro Guajuviras. Agora vão e avisem a todos os vampiros que encontrarem por Porto Alegre. – ordenou Gustavo colocando seus óculos escuros para se retirar dali.
Então todos os vampiros que por ali se abrigavam começaram a se agitar causando um ensurdecedor barulho pelos gritos que soltavam e ecoavam dentro do local, glorificando a atitude de Gustavo e em seguida começaram a sair para obedecerem as ordens dele.
Em Guajuviras, Jéferson pediu licença aos demais presentes para ir até a casa onde morava com seus pais para descansar, pois havia perseguido um bando de vampiros a noite toda e estava exausto. Precisava repor suas energias para a noite, pois ele sabia que Maximiliano não deixaria barato que sua identidade vampiresca fosse ameaçada por um humano.
Carlos virou-se para Cobrareto e Steve, após Jéferson se retirar do recinto, e lhes disse:
- Bem, tomarei como exemplo a atitude de Jéferson e também irei dormir. A noite passada me foi exaustiva e tenho muitas coisas na cabeça para aceitar, e sei que meu único conselheiro neste momento será um travesseiro.
- Tenha um bom descanso então, tchê! Pode ficar com meu quarto, pois ficarei aqui na sala fazendo “sala” para Steve. – disse Cobrareto abrindo a geladeira da cozinha e pegando duas latas de refrigerante para compartilhar da bebida com o vampiro.
- Por mim podes dormir, Cobrareto. Acredito que ao sentar aqui aproveitarei também para cochilar um pouco. – comentou Steve pegando da mão de Cobrareto a bebida que lhe era oferecida pelo anfitrião do local.
- Já tô acostumado a dormir pouco, Steve. Pode tirar um “ronco” aí, pois ficarei assistindo televisão. – disse Cobrareto pegando o controle do aparelho para diminuir um pouco a intensidade do som para não atrapalhar o descanso de seus novos hóspede.
Porto Alegre, meio-dia.
Delegado Castro chega na delegacia e observa que o inspetor Carlos Alencar não se encontra em sua mesa, olha para o relógio e estranha ao ver que seu exímio subordinado que nunca se atrasa sem avisar não havia chegado ainda na delegacia desde a hora que chegastes no local às oito horas da manhã. Então preocupou-se com a ausência de seu inspetor e pediu para que um dos policiais de plantão ligasse para Carlos, sendo avisado pelo policial que estava saindo do plantão da noite passada que o inspetor havia saído para uma missão às pressas e que ainda não havia retornado.
- Tô sabendo desta operação, pois foi eu quem conseguiu os trâmites legais para que Carlos invadisse o morro na Vila Nova. Mas ainda não voltaram? Será que tem a ver com aquela situação que saiu no jornal do massacre que ocorrera no local? Corpos queimados e muito sangue pelo chão. – comentou delegado Castro.
Então delegado Castro virou-se para seu efetivo presente na delegacia e disse:
- Quero alguns dos nossos homens indo até a Brigada Militar da Zona Sul responsável pela perícia dos corpos queimados que encontraram no morro da Vila Nova, pois quero saber quem eram as pessoas. Enquanto isto quero outro entrando em contato com o Carlos, pois quero saber o que aconteceu com ele e os demais de nossa equipe que foram com ele e não retornaram. E quero tudo isto muito rápido!
Assim que acabou de escutar as ordens do delegado, o policial Gonçalves pegou seu celular e se dirigiu até o estacionamento da delegacia para efetuar uma misteriosa ligação.
Maximiliano estava deitado em sua cama na companhia de uma jovem menor de idade quando seu sono fora interrompido pelo toque do seu celular, o qual ele olhou no visor do aparelho e ao atender disse:
- Diga Gonçalves! Quais as novidades?
- O delegado acabou de dar ordens de encontrarmos o inspetor Carlos e de descobrir quem eram as pessoas que o senhor mandou queimar naquele morro. Se chegarmos até os corpos encontraremos algum vestígio que o incrimine? – perguntou o preocupado policial civil que queria saber as medidas a tomar para não prejudicar a pessoa do empresário com quem falava naquele momento.
- Não te preocupes comigo, Gonçalves. Conversei com um brigadiano de minha inteira confiança, graças a amizade que ele tem por meu dinheiro, e ele já limpou as evidências que poderiam incriminar o meu pessoal. Não tem como este fato ter alguma ligação comigo. – respondeu Maximiliano sorrindo maliciosamente.
- Este é o Max que conheço! Muito bem, tchê. Então irei pegar este caso pessoalmente. – disse Gonçalves parabenizando o empresário pelo feito realizado.
- Certo, Gonçalves. Continue me mantendo avisado, pois estás sendo muito bem pago por seus serviços exclusivos a minha pessoa. Tenha um bom dia também. – disse Maximiliano encerrando a ligação, largando seu celular sobre o criado-mudo ao lado de sua cama e em seguida abraçando a jovem voltando a dormir.
Bairro Guajuviras, meio-dia e meia.
Carlos se acorda assustado com o alto toque de seu celular que está no bolso de sua jaqueta de couro, então ele o pega e o atende após ver no visor do aparelho o número da delegacia onde trabalha.
- Inspetor Carlos Alencar. – identificou-se ele.
- Inspetor, aqui é o policial Magnus. – identificou-se o policial que ficara incumbido desta missão.
- Ô Magnus! Tudo na boa, “cara”? – disse Carlos cumprimentando seu colega de profissão enquanto passava a mão direita nos olhos para tentar se acordar.
- Comigo sim, inspetor. Mas o delegado Castro tá louco por aqui querendo saber do senhor, pois ele mandou gente nossa para saber o que aconteceu naquele morro e por que o senhor não retornou pra cá depois da operação. – informou policial Magnus.
- Bah, “cara”! Foi uma confusão por lá. Seguinte: o Castro tá por aí? – tentava dizer Carlos sem conseguir pensar em alguma desculpa para encobrir o que realmente ocorrera na noite passada.
- Está sim senhor, está na sala dele olhando uns papéis. – respondeu Magnus.
- Me passa pro ramal dele faz favor, Magnus. – pediu Carlos querendo se explicar diretamente para delegado Castro, o único que poderia confiar e amenizar sua situação naquele momento.
Delegado Castro estava em sua sala olhando uns documentos relacionados com a operação da noite passada quando viu o telefone de sua sala tocar, olhou para Magnus pela janela de sua sala que lhe informou que era o Carlos na ligação. Então fez um sinal de positivo e em seguida tirou o telefone do “gancho” para conversar com o inspetor que aguardava na “linha”.
- Carlos? Por onde tu andas, tchê? – perguntou delegado Castro preocupado com seu subordinado e amigo.
- Bah Castro, me meti num “rolo” muito grande. – comentou Carlos.
- Eu já esperava por isto. – disse Castro.
- Já esperava? – questionou Carlos surpreso.
- Claro, tchê! Tu foi te meter com um influente empresário que tem amigos no Legislativo, nas Forças Armadas, no Judiciário e demais poderes. Era óbvio que tu ia te meter em uma baita encrenca. – comentou delegado Castro.
- Ah, é isto? Quer dizer... É isto mesmo, Castro. O “cara” é muito influente e terei que me esconder por um tempo até resolver tudo isto, por isto não apareci por aí. E só pra te informar sobre os corpos, ele matou os policiais que foram comigo e eu consegui fugir graças a um... um... – dizia Carlos tentando encontrar uma explicação para o Cobrareto quando viu sobre o criado-mudo ao lado da cama onde estava uma falsa carteira de agente federal com a foto do seu novo amigo, que fez retornar a conversa – Agente federal que está o investigando. Ele veio direto de Brasília e me prometeu segurança nacional se eu o ajudar a prender este maldito. – inventou Carlos para não contar a verdade para seu amigo, pois sabia que seria desacreditado naquela louca situação na qual estava envolvido.
- A Polícia Federal tá envolvida neste caso? Então quer dizer que é uma mega operação e tu tá nesta? Agora tá trabalhando com os federais? Hum... Só falta querer nos deixar na mão pra entrar em alguma destas agências. – disse delegado Castro.
- Não “viaja”, Castro. Sabes que não gosto destes “almofadinhas” que trabalham o tempo todo “lambendo” o traseiro destes políticos. Pode ter certeza que assim que terminar tudo isto retorno todinho pra delegacia. – disse Carlos rindo.
- Tá certo, Carlos. Ficaremos no aguardo, mas no momento é melhor não nos comunicarmos. Sabes como é, já que estás com os federais melhor preservarmos a tua identidade e a missão. – propôs delegado Castro não querendo na verdade se envolver naquele caso, pois em seus vinte anos na polícia sabia como era incomodo se envolver em casos com altos figurões da alta sociedade.
- Certo, Castro. Entrarei em contato somente quando retornar à delegacia. Abraços! – disse Carlos encerrando a ligação e desligando seu celular.
O dia passara, enquanto em Guajuviras Carlos aguardava os próximos passos dos seus novos amigos, na cidade de Porto Alegre o empresário Maximiliano observava o pôr-do-sol no Caís do Porto aguardando seu “braço-direito” Gustavo.
- Boa tarde, chefe! – disse Gustavo se aproximando de seu patrão.
- Boas notícias? – perguntou o empresário sem tirar seus olhos do belo fenômeno da natureza.
- Sim senhor, pois encontramos realmente o paradeiro do policial e ainda conseguimos reunir um bom número de vampiros que nos ajudarão nesta operação de ataque ao bairro Guajuviras. – informou Gustavo.
- Muito bom saber disto, meu caro Gustavo. E quando podemos realizar esta operação? – questionou Maximiliano olhando para a direção do rapaz.
- Assim que ordenares, meu senhor. – respondeu Gustavo.
- Muito bem, pois sabes que sou uma pessoa que não gosta de esperar muito. Ordeno que este ataque seja esta noite, mais precisamente a meia-noite de hoje. Assim não haverá muitas pessoas para nos atrapalhar durante a madrugada e será mais fácil de acabarmos com os cretinos dos caçadores e o maldito policial. – disse Maximiliano.
- Nossos soldados estão aguardando suas ordens dentro do galpão, senhor. – informou Gustavo olhando na direção do galpão.
- Vamos até lá conversar com eles então, Gustavo. – disse Maximiliano acompanhando seu subordinado até o local por ele indicado.
Jéferson sentiu um mal súbito em frente a seus amigos que estranharam aquilo, com exceção de Cobrareto que percebera que seu amigo estava tendo um mal pressentimento e o aguardou falar.
- O que houve, Jéferson? – perguntou Carlos preocupado com o jovem.
- Maximiliano! Ele está tramando algo para muito próximo. Teremos que ficar a postos e pedirei reforço para o Guajuviras, creio que ele está vindo atrás de ti Carlos. – respondeu Jéferson melhorando.
- E o que faremos? – perguntou Steve.
- Pois é, “cara”? O que faremos agora? – também perguntou Carlos.
- Vamos nos preparar pra luta. – respondeu Jéferson segurando uma estaca de prata com o símbolo de uma cruz desenhada nos dois lados do objeto.